Roberto Campos Neto, ex-presidente do Banco Central, disse que as stablecoins não necessariamente tornam remessas internacionais mais baratas e que esses ativos se afastaram de sua função original como meio de pagamento. Segundo ele, o uso atual está mais ligado à reserva de valor, à proteção contra a inflação e à negociação no mercado de criptoativos.

O que aconteceu: Em artigo publicado na Folha de S.Paulo, Campos Neto argumentou que houve uma mudança no papel das stablecoins. Em vez de se consolidarem no dia a dia dos pagamentos, elas passaram a ser usadas sobretudo como ativo para guardar valor e circular no mercado cripto.

Em números: O mercado de stablecoins, segundo ele, saiu de menos de US$ 7 bilhões (aprox. R$ 40,6 bi) em 2020 para mais de US$ 315 bilhões (aprox. R$ 1,83 tri) no primeiro semestre de 2026. Mesmo com esse avanço, o uso cotidiano para pagamentos não se firmou, na avaliação do ex-presidente do BC.

Por que importa: Campos Neto também alertou para os custos nas conversões e para o risco de dolarização. Nesse contexto, defendeu o Drex, a moeda digital em desenvolvimento pelo BCB, como uma alternativa pública e regulada.

Para o leitor brasileiro, a discussão pesa sobre como o BCB enxerga pagamentos digitais, remessas e o espaço de versões digitais do real dentro de um ambiente regulado.