A Wintermute USA se registrou como corretora nos Estados Unidos e passou a ter acesso a um tipo de operação que antes estava fora do seu alcance legal. Na prática, isso permite à empresa buscar espaço como formadora de mercado em bolsas americanas. Segundo Evgeny Gaevoy, o plano inicial envolve commodities e ETFs de cripto.
O que aconteceu: a licença remove uma barreira regulatória que impedia a Wintermute de atuar em produtos centrais do mercado americano. Um exemplo é o iShares Bitcoin Trust da BlackRock, que tinha US$ 43,2 bilhões (aprox. R$ 250,6 bi) no fim de junho. Hoje, a criação e o resgate de cotas desse ETF ficam nas mãos de instituições como Jane Street, Citadel Securities, Virtu Americas, Goldman Sachs e JPMorgan — nenhuma delas é uma empresa nativa de cripto.
Em números: a Wintermute diz oferecer preços em mais de 60 ambientes de negociação, mas ainda não podia operar o principal produto de cripto do mercado americano por falta da licença. O registro agora a torna elegível, mas não garante posição imediata em Wall Street. Na NYSE, por exemplo, só três empresas têm status de formadora de mercado designada: Citadel Securities, Virtu Americas e GTS Securities. Para disputar esse espaço, também é preciso manter ao menos US$ 75 milhões (aprox. R$ 435 mi) em capital, antes do risco de inventário.
A mudança vem na esteira do avanço do capital institucional dentro da própria Wintermute. No primeiro semestre de 2026, investidores institucionais responderam por 72% do volume spot de balcão (OTC, negociação direta entre as partes) da empresa, ante 59% um ano antes. Fundos de hedge, gestoras, family offices e tesourarias corporativas puxaram essa alta.
Para o leitor brasileiro, o movimento mostra como empresas de cripto buscam entrar na infraestrutura tradicional dos EUA, especialmente em e, mais adiante, em ativos tokenizados. Isso ajuda a medir para onde o mercado institucional está correndo.




