As ações da AMC chegaram a subir 15,19% no pré-mercado desta sexta-feira e eram negociadas a US$ 2,92 (aprox. R$ 16,9) após fecharem a quinta-feira em US$ 2,54 (aprox. R$ 14,7). No pico, o papel tocou cerca de US$ 3,03 (aprox. R$ 17,6) antes de perder parte do fôlego.

O movimento veio no meio de uma disputa pública entre Adam Aron, CEO da AMC, e Vlad Tenev, chefe da Robinhood, sobre tokens que replicam o desempenho da ação. Aron pediu que a plataforma pare de negociar esses ativos, afirmando que eles não são registrados sob as leis de valores mobiliários dos Estados Unidos e não oferecem participação acionária nem direito de voto.

Aron disse que a AMC gasta milhões de dólares por ano para cumprir a legislação do mercado americano, enquanto os tokens estariam sendo emitidos a cerca de 4.800 quilômetros offshore, em Jersey. Ele também afirmou que orientou os advogados da companhia a avaliar medidas para forçar a interrupção da negociação, caso a Robinhood não recue voluntariamente. Tenev respondeu às críticas em publicação no X e questionou qual seria a preocupação.

A Robinhood descreve esses produtos como títulos de dívida tokenizados da Robinhood Assets (Jersey) Limited, entidade que, segundo a própria empresa, não é regulada. Cada token teria lastro de 1 para 1 em ações reais mantidas por um parceiro de custódia nos Estados Unidos. Mesmo assim, o mercado desses tokens ainda é pequeno: o principal pool da AMC tinha cerca de US$ 382,6 mil em liquidez (aprox. R$ 2,2 mi), com valor de mercado ao redor de US$ 2,8 milhões (aprox. R$ 16,2 mi), diante de uma companhia avaliada em aproximadamente US$ 2,6 bilhões (aprox. R$ 15,1 bi).

Para o investidor no Brasil, o caso mostra o risco de confundir tokenização com posse direta da ação: acompanhar preço não é o mesmo que ter os direitos do papel original.