A Anthropic planeja conceder ao CEO Dario Amodei e a seus cofundadores ações com votos adicionais antes de um possível IPO (oferta inicial de ações ao público). A medida busca proteger a liderança da empresa da pressão de investidores externos por resultados imediatos.
O que aconteceu:
- A companhia protocolou um S-1 confidencial junto à SEC em junho. Esse documento inicia o processo de registro para uma abertura de capital nos Estados Unidos.
- O relatório do The Information aponta para um possível IPO em setembro, mas a Anthropic ainda não confirmou uma data.
- A rodada mais recente avaliou a empresa em US$ 965 bilhões (aprox. R$ 5,6 trilhões). A receita anualizada chegou a US$ 65 bilhões (aprox. R$ 377 bilhões) no fim de julho.
A estratégia se aproxima da adotada pela SpaceX, que estreou na Nasdaq em 12 de junho com o ticker SPCX. No caso da empresa de Elon Musk, ações públicas Classe A têm um voto cada, enquanto ações Classe B de investidores internos têm dez votos. Musk detém 48,4% da companhia, mas concentra mais de 82% dos votos.
A diferença é que a Anthropic pretende dividir o poder de voto entre vários cofundadores. A empresa também mantém o Long-Term Benefit Trust (LTBT), entidade independente que participa da escolha do conselho para preservar a missão de segurança em inteligência artificial. Entre seus curadores está o ex-presidente do Federal Reserve Ben Bernanke.
Para investidores brasileiros, a estrutura pode limitar a influência de acionistas comuns caso a empresa chegue à bolsa. A compra de ações no exterior também envolve regras locais de declaração e tributação, além da variação entre o dólar e o real.




