A atualização Glamsterdam, prevista para o quarto trimestre de 2026, deve preparar o Ethereum para processar blocos maiores e ampliar a capacidade da camada principal, a L1 (a rede base onde as transações são liquidadas). Desenvolvedores da rede já indicam um alvo de cerca de 200 milhões no limite de gas, acima dos 60 milhões atuais.
A mudança mira um problema antigo: o Ethereum segue com a maior base de desenvolvedores do setor, mas ainda enfrenta críticas por velocidade e custo. Segundo a Ethereum Foundation, a atualização também vai incluir mudanças de precificação de gas, como as EIP-8037 e EIP-8038, que alteram custos ligados à criação e ao acesso de dados de estado. A fundação afirmou que a maioria dos contratos da L1 não deve ser afetada, mas um grupo menor pode quebrar ou perder desempenho sem ajustes.
Federico Variola, CEO da Phemex, disse que exchanges descentralizadas podem ser um teste importante para essa nova fase. Na avaliação dele, à medida que reguladores passam a lidar com plataformas como a Hyperliquid com mais seriedade, o Ethereum precisa preservar a descentralização e, ao mesmo tempo, oferecer execução mais rápida e taxas menores. A rede já havia dobrado seu limite de gas de cerca de 30 milhões no início de 2025 para 60 milhões após melhorias sucessivas.
O ganho de capacidade, porém, esbarra em uma limitação prática: blocos maiores exigem mais poder computacional dos validadores, que precisam processar tudo dentro do intervalo fixo do protocolo. Para lidar com isso, o pacote do Glamsterdam inclui as Block-Level Access Lists (EIP-7928), que antecipam quais contas e dados serão acessados em cada bloco e permitem processamento em paralelo, além da separação formal entre proponentes e construtores de blocos, a ePBS. A atualização também muda os incentivos para conter o crescimento do estado da rede, com meta de limitar essa expansão a cerca de 120 GiB por ano mesmo com gas mais alto.
Para o leitor no Brasil, a mudança importa porque custos e velocidade na afetam diretamente o uso de aplicações em , inclusive em corretoras e serviços que dependem do ecossistema da rede.




