O Banco Central quer criar um modelo de Pix internacional por meio da conexão direta com sistemas de pagamentos instantâneos de outros países. A proposta apareceu no Relatório de Gestão do Pix 2023-2025, divulgado na segunda-feira (10), e muda a lógica atual, hoje baseada em acordos entre instituições financeiras brasileiras e parceiras no exterior.

Segundo o BC, estão em discussão tanto interligações bilaterais quanto a entrada em hubs multilaterais, que reúnem vários países em um único ponto de conexão. A ideia é permitir remessas e compras internacionais com liberação dos recursos na moeda local em poucos segundos.

Por que importa: o BC diz que esse modelo pode reduzir tarifas, acelerar as transferências, ampliar o acesso e dar mais transparência às transações transfronteiriças. Hoje, essas operações passam por vários intermediários, o que costuma encarecer e atrasar o processo.

Para você no Brasil, isso pode significar transferências internacionais mais rápidas e simples, com impacto direto em remessas ao exterior e pagamentos fora do país.

O que muda no mercado: o movimento aproxima o Estado brasileiro de um espaço hoje ocupado por stablecoins (cripto atrelada a um ativo estável, geralmente o dólar), usadas como alternativa para remessas rápidas e baratas. Embora o relatório não cite stablecoins, o contexto regulatório vai nessa direção: a Resolução BCB 561 proíbe prestadoras de eFX de liquidar operações de câmbio com cripto ou stablecoins a partir de 1º de outubro de 2026. Antes, a Resolução BCB 521 já havia tratado remessas com stablecoins como operação de câmbio.

Em números: em 2025, o Pix registrou alta de 25,7% no número de transações, chegando a 79,8 bilhões. O volume financeiro avançou 33,8% e superou R$ 35 trilhões. Em dezembro de 2025, o sistema era usado por 148 milhões de pessoas físicas e de empresas, o equivalente a cerca de da população adulta. As chaves cadastradas passaram de , alta de sobre dezembro de .