A blockchain pode ser imutável e transparente, mas isso não transforma qualquer dado registrado nela em verdade. Esse foi o ponto central de um painel realizado na quinta-feira (13) na Blockchain.RIO, em meio ao avanço da regulação de ativos virtuais no Brasil sob supervisão do Banco Central.
O que aconteceu: No debate “Crypto Security: Regulação, Tecnologia e Confiança — Como construir um mercado Crypto seguro?”, especialistas discutiram o limite entre segurança tecnológica e confiabilidade da informação. Participaram Bruno Brito, da LexChain; Luiz Souza (Ceifador), investigador cripto; Henrique Oliveira, da Aura Kairos Emet; e Bárbara Brito, da Sinergius, que mediou a conversa.
Por que importa: Para Henrique Oliveira, a rede consegue preservar a integridade de um registro depois da inclusão, mas não checa se o dado original é verdadeiro. Em outras palavras, a blockchain prova que algo foi registrado em determinado momento, não que aquele conteúdo represente um fato real fora da rede. Ele comparou o problema ao da inteligência artificial: quando o sistema recebe dados falsos, o resultado também pode sair errado.
No Brasil: Bruno Brito afirmou que inovação e regulação não precisam entrar em choque. Segundo ele, o modelo de consultas públicas do Banco Central ajudou a construir regras com participação de empresas, associações e da sociedade, o que tende a ajustar as normas sem bloquear o desenvolvimento tecnológico.
Para quem acompanha o setor no Brasil, o recado é direto: segurança em cripto não depende só da tecnologia, mas também de governança, contexto e supervisão.
A transparência da blockchain também entrou no debate sobre investigações. Luiz Souza disse que uma operação suspeita não pode ser analisada isoladamente: é preciso observar o contexto, as conexões de um endereço e sua relação com outros participantes. Segundo ele, isso contraria a ideia de que toda transação com ativos digitais é impossível de rastrear.



