O Departamento de Justiça dos EUA acusa 17 iranianos de participação em ataques cibernéticos contra universidades, empresas privadas, órgãos do governo americano e ONGs. Entre os episódios citados está a invasão da HBO, na qual seis pessoas teriam tentado extorquir a empresa em US$ 6 milhões (aprox. R$ 34,8 milhões) em Bitcoin para não divulgar dados roubados.

O que aconteceu: segundo a acusação, os ataques ocorreram entre 2013 e 2017 e foram ligados ao Instituto Mabna. As autoridades afirmam que o grupo invadiu sistemas de 322 universidades, 53 empresas americanas e estrangeiras, além de cinco órgãos do governo dos EUA e duas ONGs. Ao todo, teriam sido roubados mais de 31 terabytes de dados.

No caso da HBO: o processo cita Behzad Mesri, também conhecido como “Skote Vahshat”, como acusado de invadir os sistemas da empresa, roubar informações proprietárias e tentar a extorsão em Bitcoin. Os EUA também apontam Saeid Houshyar, Manouchehr Hashemloo, Keyvan Fayaz, Saber Shahbazi Ballojeh e Arman Kahzadian como cúmplices na ação contra a companhia.

As autoridades americanas dizem que o grupo usou técnicas como password spraying (tentativas automatizadas com senhas comuns em várias contas) e spear phishing (mensagens falsas feitas sob medida para enganar um alvo específico). Em declaração citada no processo, John A. Eisenberg, procurador-geral adjunto para Segurança Nacional, afirmou que a Justiça vai perseguir os responsáveis pelo tempo que for necessário.

Para o leitor brasileiro, o caso reforça um ponto básico: Bitcoin pode ser usado em pedidos de resgate digital, mas isso não muda o risco central dessas operações, que começa na invasão de sistemas e no roubo de dados.