O fork do BIP-110 perdeu força quase imediatamente e ficou congelado após só dois blocos. Com a derrota, parte dos defensores da proposta passou a discutir uma ruptura completa com o Bitcoin, com mudança no proof-of-work (o mecanismo que coordena a mineração e protege a rede) até 1º de setembro.

O que aconteceu: o BIP-110 propunha um soft fork temporário para limitar o tamanho de dados nas transações e afastar inscrições Ordinals e outros conteúdos não monetários dos blocos. Mesmo com o patamar de ativação reduzido de 95% para 55% de aprovação dos mineradores, o apoio máximo chegou a só 2,53%. Quando a sinalização obrigatória começou no bloco 961.632, os nós que aplicavam a regra passaram a rejeitar blocos sem sinalização.

Em números: os dados do BIP-110 Monitor mostram a chain parada no bloco 961.633, enquanto o Bitcoin seguiu mais de 240 blocos à frente. A sinalização no período atual está em 0,00%. Como o fork manteve toda a dificuldade do Bitcoin com quase nenhum hashrate (poder computacional usado na mineração), cada novo bloco pode levar muitas horas para aparecer.

Dathon Ohm, autor pseudônimo da proposta, chamou o desfecho de ataque e disse que a comunidade trabalha numa mudança de proof-of-work para deixar os mineradores de Bitcoin para trás. Luke Dashjr, mantenedor do Bitcoin Knots e cofundador da pool OCEAN, citou 1º de setembro como possível prazo. Se isso ocorrer, a mudança deixa de ser um ajuste na rede atual e passa a criar uma moeda separada, com as máquinas de mineração de Bitcoin se tornando inúteis nessa nova chain.

Para o leitor brasileiro, isso significa mais um episódio de fragmentação no mercado cripto: se uma nova moeda realmente surgir, a tendência é de liquidez menor, volatilidade mais alta e risco elevado para quem opera em corretoras.