A inflação dos Estados Unidos ficou dentro das previsões e tirou do radar uma surpresa negativa imediata para os mercados. O CPI avançou 3,4% em 12 meses em julho, abaixo dos 3,5% de junho, enquanto o núcleo do índice, que exclui alimentos e energia, ficou em 2,5%, contra 2,6% no mês anterior.

O que aconteceu: o dado foi divulgado nesta quarta-feira pelo Bureau of Labor Statistics e confirmou a projeção de consenso dos economistas para os dois indicadores. Na prática, isso mantém a leitura de desaceleração gradual da inflação, mas sem uma queda mais forte.

Por que importa: com o número em linha com o esperado, o mercado deixa de reagir a um choque inflacionário e volta a discutir o próximo passo do Federal Reserve. Investidores seguem divididos entre a manutenção dos juros e uma nova alta de 0,25 ponto percentual na reunião de setembro.

O presidente do Fed, Kevin Warsh, tem repetido que a decisão dependerá dos próximos dados e que a meta de inflação de 2% continua no centro da política monetária. Ao mesmo tempo, a desaceleração recente do mercado de trabalho dos EUA reduziu parte das apostas em novo aperto.

Nos criptoativos: a leitura de inflação mexe com expectativas para juros, rendimento dos Treasuries e força do dólar, três fatores que costumam influenciar o preço do Bitcoin. Como o dado não surpreendeu, o mercado agora espera os próximos indicadores de inflação e emprego antes da reunião do Federal Open Market Committee.

Para o investidor brasileiro, o efeito costuma chegar pelo apetite global a risco: decisões do Fed podem mexer com o Bitcoin, o dólar e, por consequência, com o preço dos criptoativos em reais.