A perda de quase 99% de valor de US$ 10 mil em pesos argentinos entre 2016 e 2026 ajuda a explicar por que o dólar entrou de vez na rotina financeira da América Latina. Hoje, salários são pagos em stablecoins e empresas usam dólares digitais para receber e pagar no exterior.

O relatório The Exodus Economy chama esse movimento de dolarização de baixo para cima: as pessoas continuam nos seus países, mas fazem cada vez mais parte da vida financeira fora dos bancos locais. O ponto central é que nem todo saldo em dólar oferece a mesma proteção.

O que aconteceu: mais de 99% do volume monitorado de saques em stablecoin voltou a circular em até 30 dias. Na carteira argentina Lemon, os saques medianos ficaram entre US$ 150 (aprox. R$ 825) e US$ 270 (aprox. R$ 1,5 mil) no primeiro semestre de 2026.

O levantamento também cita a Bitso, cujo corredor de stablecoins movimentou US$ 31,5 bilhões (aprox. R$ 173,3 bilhões) por ano em 2026. Esse número mede o volume bruto e em dois sentidos, não a quantia que realmente saiu da região de forma permanente.

Por que importa: o saldo em dólar pode ser um depósito segurado, um direito sobre uma stablecoin ou um produto de investimento. Para Reza Bundy, da Atlas Capital Team, exposição ao dólar e preservação do poder de compra são coisas diferentes.

Para você no Brasil, o recado é simples: “dólar digital” não significa a mesma proteção em todos os casos. Antes de olhar o preço em dólar, vale entender se há seguro, risco da plataforma, risco da stablecoin e risco de mercado.

Bundy também disse que Treasuries (títulos públicos dos EUA) de longo prazo são sensíveis a mudanças nas taxas e na inflação. Se o investidor vender antes do vencimento, pode sair com prejuízo.