Outubro passou a ser visto pelo mercado como o primeiro teste concreto da nova regulação de ativos digitais no Brasil. O prazo mencionado para que empresas enquadradas como prestadoras de serviços de ativos virtuais peçam autorização ao Banco Central deve começar a mostrar, no fim de outubro e em novembro, quantas delas seguirão no mercado regulado.

O tema abriu os debates do Blockchain.RIO 2026, em 12 de agosto, no Rio de Janeiro. Na mesa, representantes do setor, da academia e de reguladores da América Latina discutiram como combinar inovação, proteção ao consumidor, prevenção à lavagem de dinheiro e combate a fraudes sem travar o desenvolvimento do mercado.

Segundo o debate, empresas que se enquadram nessa categoria precisam entrar com o pedido de autorização dentro do prazo indicado para outubro. Quem ficar fora do processo ou não obtiver enquadramento terá um período para encerrar as operações, embora nem todos os modelos de negócio ligados a ativos digitais estejam sujeitos ao mesmo tipo de licença.

Para quem acompanha cripto no Brasil, esse prazo tende a funcionar como um filtro: ele pode reduzir o número de empresas em atividade e deixar mais visível quais plataformas vão operar sob supervisão do BCB.

A presidente da ABcripto, Julia Rosin, afirmou que há um grupo de trabalho com a CVM sobre tokenização (transformação de ativos em versões digitais registradas em blockchain) e que o regulador tem metas ousadas para este ano. No painel, também foi dito que a projeção de pedidos de autorização caiu nos últimos meses, depois da saída de algumas empresas do mercado, mas o número final só será conhecido após o encerramento do prazo.

Outro ponto levantado foi que a regulação ainda deve evoluir depois do primeiro ciclo de licenciamento, à medida que o Banco Central acumular informações sobre como as empresas atuam na prática. A discussão incluiu ainda o avanço da agenda da CVM sobre tokenização, com foco em segurança das operações em blockchain, segregação patrimonial e mecanismos de supervisão.