A tokenização está deixando de ser tratada como uma simples versão digital de ativos tradicionais e passou a ser vista como uma mudança de infraestrutura. Em painel realizado na segunda-feira (10) no Money Legos Rio, participantes defenderam que o valor real dessa tecnologia aparece quando ela amplia distribuição, liquidez e mantém operações ativas fora da janela do sistema financeiro tradicional.

O que aconteceu: O painel The Convergence of Onchain Finance and TradFi reuniu representantes de BitGo, Pods, Zeom, Dynamic, Ondo e Etherfuse durante a semana do Blockchain.RIO. A mensagem central foi que a aproximação entre finanças tradicionais e mercado on-chain (operações registradas em blockchain) já não gira só em torno de colocar ativos conhecidos na blockchain, mas de repensar acesso, infraestrutura e uso desses produtos.

Por que importa: Na avaliação apresentada no debate, tokenizar um ativo não basta por si só. A relevância surge quando essa estrutura reduz barreiras e permite serviços que a infraestrutura financeira tradicional ainda não oferece, como operações além do horário bancário e formas mais abertas de distribuição e integração.

Também entrou no foco do painel a ideia de ampliar o significado de “acesso”. Não se trata apenas de comprar uma ação, um título ou outro ativo. Os participantes citaram como pontos centrais a possibilidade de fazer custódia (guardar o ativo com segurança), usá-lo para gerar rendimento, oferecê-lo como garantia em empréstimos e liberar a criação de novas aplicações por desenvolvedores sem depender de integrações fechadas.

Para o leitor brasileiro, a discussão toca em um ponto sensível: se ativos tokenizados avançarem, a pressão por mercados mais contínuos e flexíveis pode chegar também à infraestrutura local, hoje concentrada em horários e trilhos mais rígidos.