O Federal Reserve deixou claro nas atas divulgadas na quarta-feira que o debate sobre juros continua apertado. Três dirigentes defenderam uma alta de 0,25 ponto percentual, enquanto o restante do comitê preferiu manter a taxa entre 3,50% e 3,75%.

O que aconteceu:
Beth Hammack, Neel Kashkari e Lorie Logan votaram por subir os juros imediatamente. Outros integrantes também disseram que uma nova alta pode ser necessária se a inflação não ceder.

Em números:
O indicador de inflação acompanhado pelo Fed ficou em 3,7% em junho, acima da meta de 2%. Operadores chegaram a precificar em julho uma chance de 1/3 de alta, e um ajuste completo de 0,25 ponto já estava totalmente precificado até setembro.

Por que importa:
Juros mais altos costumam pesar sobre ativos de risco, e o Bitcoin (BTC) sente isso com força. Depois da decisão de julho, os rendimentos de títulos do Tesouro subiram ao maior nível desde 2007, o que ajudou a tirar fluxo do mercado cripto.

Para o investidor brasileiro, isso costuma refletir também no humor do mercado global e pode bater no preço do BTC cotado em reais nas corretoras locais, mesmo sem mudança direta do BCB.

A ata também mostrou preocupação com outros fatores de inflação, como o conflito no Oriente Médio e o impacto de tarifas anteriores. Houve divisão até sobre a IA: parte do grupo vê pressão sobre preços, e parte enxerga ganho de eficiência e alívio lá na frente.

Com Kevin Warsh sugerindo menos reuniões do Fed, limitadas a seis por ano, o mercado pode ficar com menos sinais antecipados sobre a próxima decisão. O próximo teste está marcado para 15 e 16 de setembro.