A Interpol informou nesta quinta-feira (9) que a Operação First Light 2026 levou à prisão de 5.811 pessoas e à interceptação de US$ 293 milhões em ativos ilícitos, incluindo criptomoedas. A ofensiva ocorreu entre 15 de janeiro e 30 de abril, com apoio de 96 países, entre eles o Brasil.
Segundo a organização, a operação analisou 152.808 casos, identificou mais de 142 mil vítimas e solucionou 23.715 ocorrências. Também foram bloqueadas 31.014 contas bancárias, identificados 15.606 suspeitos e emitidas 99 notificações e difusões.
Como as criptomoedas apareceram nos casos
Na Tailândia, a polícia prendeu dois suspeitos de operar um esquema de lavagem de dinheiro ligado a golpes de romance. De acordo com a Interpol, os recursos eram convertidos em diversas criptomoedas para dificultar o rastreamento do dinheiro. A investigação apontou ainda que a carteira digital (endereço usado para guardar e movimentar criptoativos) de um dos investigados, de 20 anos, movimentou mais de US$ 122,5 milhões em dez meses.
Em Palau, 22 pessoas foram deportadas por participação em dois centros de golpes instalados em hotéis. Nesse caso, os suspeitos usavam criptomoedas e sites de apostas enquanto aplicavam fraudes online.
Para o leitor brasileiro, o caso mostra como criptoativos podem aparecer em esquemas de lavagem e ocultação de valores, o que aumenta a atenção de autoridades e corretoras sobre movimentações suspeitas.
Falsa delegacia da Polícia Federal brasileira
Um dos episódios citados pela Interpol ocorreu em Essuatíni. As autoridades apreenderam 240 dispositivos eletrônicos, moedas estrangeiras e prenderam 82 pessoas. Os criminosos montaram uma réplica de uma delegacia da Polícia Federal do Brasil, com uniformes, placas e equipamentos falsos.
Segundo a Interpol, eles se apresentavam como agentes da PF em chamadas de vídeo e convenciam as vítimas a transferir dinheiro para uma suposta “custódia segura”, que depois era roubado.
A operação também teve resultados em Singapura e Omã, onde autoridades usaram o sistema I-GRIP para bloquear uma transferência ilícita de US$ 6,6 milhões ligada a um golpe de comprometimento de e-mail corporativo (fraude em que o criminoso se passa por alguém da empresa para desviar pagamentos). Em Macau, investigadores impediram outra transferência, de US$ 372 mil, após descobrirem que golpistas se passavam por autoridades públicas.




