A OnilX enfrenta uma sequência de queixas de clientes por atraso em saques e rendimentos, ao mesmo tempo em que teve bens bloqueados por decisão da Justiça do Paraná em 25 de junho. A empresa afirma que as reclamações no Reclame Aqui foram resolvidas e que o caso judicial citado também já foi solucionado entre as partes.

O que aconteceu: no Reclame Aqui, clientes passaram a relatar, nos últimos dias, demora nos pagamentos e falta de resposta da empresa. Em uma das reclamações, um investidor afirma que os rendimentos mensais vinham sendo pagos com atraso recorrente e que o prazo, antes de 5 dias úteis, teria passado para 7 dias úteis, sem previsão posterior de quitação. Outros relatos dizem que pedidos de saque feitos em 1º de julho ainda não haviam sido transferidos 23 dias depois.

Em números: versões antigas do site e contratos anexados a processos mostram ofertas com retorno fixo de até 2,4% ao mês, o equivalente a cerca de 28,8% ao ano, em patamares acima do CDI. Em três ações judiciais, investidores afirmam ter aplicado R$ 1,9 milhão em produtos da plataforma no início de março. Segundo eles, o valor principal foi devolvido, mas os rendimentos mensais não foram pagos. Em um dos processos, há registro de contratos que somam R$ 1 milhão, com R$ 23.006,66 em rendimentos a receber.

A decisão judicial citada no caso tramita na 2ª Vara Cível de Curitiba. O juiz autorizou o arresto cautelar de R$ 75.915,63 em ativos da empresa via SISBAJUD (sistema usado para bloqueio judicial de valores em contas). Na decisão, o magistrado mencionou um “fortíssimo indício de evasão de divisas” após documentos apontarem que Fábio Lino, apontado como principal gestor do grupo, passou a usar um telefone com DDI +1 (305), de Miami, nos Estados Unidos.

No Brasil: a CVM já havia alertado, em janeiro, que o Grupo Onil não tinha autorização para intermediar valores mobiliários, atuar como assessor de investimentos ou captar recursos de investidores. Em abril, a autarquia manteve a sanção com base em denúncias de supostas fraudes.