Os investidores passaram a ver um corte de 0,25 ponto percentual na Selic em agosto como o desfecho mais provável para a próxima reunião do Copom. Dados da B3 divulgados nesta quinta-feira (9), com base nas negociações até terça-feira (7), mostram probabilidade de 75,5% para esse cenário. A chance de manutenção da taxa está em cerca de 21%, enquanto apenas 2,3% apostam em uma redução de 0,50 ponto.
Se essa leitura se confirmar nos dias 4 e 5 de agosto, quando o Comitê de Política Monetária do Banco Central se reúne, a Selic sairia de 14,25% para 14,00% ao ano.
O que mudou na expectativa
No começo de junho, o mercado enxergava outra direção. A manutenção da Selic concentrava algo perto de 75% das apostas, e o corte de 0,25 ponto aparecia próximo de 15%. Essa percepção começou a virar na segunda metade do mês, até que, em 25 de junho, a redução de 0,25 ponto passou a liderar as projeções. Na leitura mais recente do painel, de 3 de julho, esse cenário já aparecia consolidado.
Segundo Felipe Gonçalves, superintendente de Produtos de Juros e Moedas da B3, os dados mostram como o mercado recalibra suas expectativas à medida que a decisão do Banco Central se aproxima. Ele afirma que o produto também dá uma leitura transparente da percepção dos participantes para cada reunião do Copom.
Interesse cresceu antes da reunião
As posições em aberto, que são os contratos ainda não encerrados, também subiram. Em 5 de junho, havia 2.465.427 contratos em aberto para a reunião de agosto. Na terça-feira (7), esse número chegou a 3.520.344, uma alta de aproximadamente 43%.
A B3 interpreta esse avanço como sinal de maior interesse dos investidores em estratégias ligadas à próxima decisão de juros. Ainda assim, essa fotografia pode mudar até a véspera da reunião, conforme novos dados econômicos, sinais do Banco Central e condições de mercado entrem nos preços.
Para o leitor brasileiro, a Selic mexe com crédito, renda fixa e custo do dinheiro no dia a dia. Mesmo assim, essas probabilidades mostram só a aposta atual do mercado, não uma decisão já tomada pelo BC.




