A CNMV, regulador do mercado de valores da Espanha, sinalizou apoio ao desenvolvimento de tecnologias ligadas a criptoativos nesta terça-feira (15). Carlos San Basilio, presidente da autarquia, disse na 9ª edição do Fórum Ativos Digitais que o poder público precisa acompanhar a modernização para manter a competitividade do mercado financeiro.
A fala não elimina a cautela do órgão com investimentos em criptomoedas, especialmente por causa da dificuldade de formar preços com segurança. O tom muda quando o foco sai da especulação e vai para a infraestrutura: redes de registro distribuído, isto é, bases de dados compartilhadas entre vários participantes, podem reduzir custos e acelerar processos.
Um dos pontos citados foi a emissão de valores mobiliários tokenizados. Tokenização é transformar um ativo tradicional, como um valor mobiliário, em um registro digital negociável em rede. Segundo San Basilio, esse modelo pode baratear operações e permitir liquidações instantâneas, etapa em que o dinheiro e o ativo trocam de mãos de forma definitiva.
A autarquia também vê espaço para negociação contínua, sem as janelas limitadas das bolsas tradicionais. Ao mesmo tempo, defende cooperação entre reguladores e empresas privadas para reduzir riscos de golpes e proteger investidores, mantendo decisões oficiais sob responsabilidade humana, com sistemas automatizados apenas como apoio analítico.
Em Bruxelas, autoridades revisam o marco legal do setor e discutem elevar limites de capital para infraestruturas cibernéticas a faixas entre 300 bilhões e 500 bilhões de euros. Na Espanha, a bolsa local movimenta uma capitalização de cerca de 1,7 trilhão de euros, enquanto redes distribuídas somam aproximadamente 6 bilhões de euros em ativos contabilizados. O mercado espanhol tem 21 emissões de recibos em redes descentralizadas, com valor combinado de 70 milhões de euros, ainda uma parcela pequena diante do mercado de capitais do país.




